pokerstars

SEÇÕES

Jovens representam 49% dos casos de HIV no Piauí, aponta dados Sesapi

O uso do preservativo ainda é a principal forma de evitar a doença e manter-se seguro durante o sexo

O uso de preservativo é uma forma de evitar a contaminação | Raissa Morais
FACEBOOKWHATSAPPTWITTERTELEGRAMMESSENGER

A juventude está cada vez mais avessa ao uso da camisinha. Piadas como "prefiro jogar sem chuteira" ou "não tem graça chupar bala na embalagem" se tornam comuns. O resultado é uma alta taxa de infecções por HIV entre jovens adultos. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), 49% dos casos estão concentrados em pessoas entre 20 e 35 anos.

Ao todo, de 1980, início da pandemia da doença provocada pelo vírus HIV até o ano de 2022 foram notificados 8.203 casos. Em 2022, foram registrados 533 novos casos da doença, contra 762 registrados em 2021. Mas essa redução não é motivo para comemorar, pois a subnotificação ainda é uma realidade. 

A prevenção durante o sexo ainda é uma forma de evitar a doença - Raissa Morais

Casos registrados

A doença é predominante no sexo masculino, que responde por 74% das infecções no Piauí. No entanto, as grávidas também aparecem como uma fatia importante das estatísticas, sobretudo em razão dos exames de pré-natal. Em 2021, o número mais recente, foram 9 casos registrados.

No que diz respeito à mortalidade, o controle da doença com drogas específicas apresenta bons resultados, embora a infecção não tenha cura. 

Casos

De 1980 a 2020 foram registrados 2.146 óbitos pela doença no Piauí. Em 2020, 140 pessoas morreram vítimas de consequências do vírus. Teresina (2.264), Floriano (132), Picos (115), Piripiri (93) e Campo Maior (70) são as cinco cidades com maior número de notificações entre 2018 e 2022.

Embora o HIV seja a doença mais temida por não ter cura, outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) também representam um perigo para a saúde humana. Algumas delas, mesmo tendo cura, podem, sim, levar à morte. E a preocupação com essas infecções não deve ser apenas durante ou após o Carnaval.

O que é PrEP e PEP?

O médico infectologista Sebastião Pires Filho, piauiense com atuação em Botucatu, São Paulo, explica que a preocupação com as ISTs deve ser diária. "É claro que durante o Carnaval a gente tem uma explosão e uma tendência de aumento do número de casos, em virtude das comemorações festivas. As pessoas tendem ao consumo de álcool e drogas, então elas, ficam mais suscetíveis ao sexo desprotegido", conta.

Médico diz que a preocupação com as ISTs deve ser diária - Divulgação

Única barreira

O uso da camisinha não é a única barreira de proteção, embora ela deva ser sempre utilizada. 

"Além dela, temos como estratégia a profilaxia pré-exposição, o famoso PrEP, e a profilaxia pós-exposição, o PEP. A PrEP é indicada para pacientes com dificuldade em aderir à camisinha. Ela é disponibilizada de forma gratuita, após consulta com infectologista e a dinâmica de vida sexual do paciente. Alguns exames de sangue como HIV, sífilis e hepatites virais, principalmente B e C são necessários", explica o médico.

No entanto, o uso dessas medicações depende de prescrição médica e um acompanhamento correto. Além disso, elas protegem apenas do HIV. "A profilaxia pré-exposição não é só tomar e já ter relação desprotegida. Existe um tempo para agir. Em geral, relação sexual vaginal sem preservativo necessita de 20 dias. Já a relação anal sem preservativo precisa de pelo menos sete dias do uso da medicação. Essas profilaxias protegem apenas para o HIV. Sífilis, hepatites virais, gonorreia e demais outras infecções não estão contempladas", acrescenta Sebastião Pires Filho.

Super gonorreia e super sífilis

Casos de microrganismos resistentes aos antibióticos é uma realidade já constatada nos Estados Unidos. No Brasil, ainda não existem casos clínicos comprovados da chamada "super gonorreia", por exemplo.

A gonorreia é uma IST muito comum no Brasil. Acontece quando há dor e secreção no canal da uretra, por onde passa a urina.  "A gente tem registrado na literatura alguns casos que aconteceram nos Estados Unidos sobre gonorreia que já tinha uma resistência a antibióticos que normalmente utilizamos. É possível que exista uma super gonorreia. Ou seja, uma bactéria resistente a antibióticos", alerta o infectologista Sebastião Pires Filho.

A camisinha é uma forma de evitar doenças - Raíssa Morais

Automedicação

O médico explica que a automedicação é uma das responsáveis pelo surgimento de bactérias resistentes. 

"O ideal é que o médico faça a coleta da secreção que sai da uretra para fazer um exame de cultura. Do mesmo modo a sífilis, embora não tenhamos relatos. Mas se continuar o uso indiscriminado de antibiótico é possível que também tenha a super sífilis", considera o médico.

Procurada pela reportagem do Jornal pokerstars, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) informou que não possui dados consistentes sobre o número de casos de gonorreia ou sífilis. As notificações são registradas apenas em prontuários.

Leia Mais


Participe de nosso grupo no WhatsApp, clicando nesse link

Entre em nosso canal do Telegram, clique neste link

Baixe nosso app no Android, clique neste link


Tópicos
pokerstars Mapa do site